sexta-feira, 26 de maio de 2017

Aumenta número de pessoas com sobrepeso e de doenças alimentares, tema discutido durante a VII Jornada de Nutrição

VII Jornada de Nutrição em Aparelho Digestivo e Trauma - IG&T 2017
Cresce o número de pessoas com excesso de peso no Brasil. O índice era de 43% em 2006, enquanto hoje, 52,5% dos brasileiros estão acima do peso e 17,9% da população já é considerada obesa. Este sobrepeso na vida das pessoas representa fator de risco para doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e câncer. As doenças crônicas respondem por 72% dos óbitos no país.

Segundo dados apresentados pelo IBGE, em 2009, nos anos de 1974 a 1985, 18,5% dos homens e 28,7% das mulheres apresentavam excesso de peso e 2,8% dos homens e 8% das mulheres estavam obesos. Nos anos 2008 a 2009, 50,1% dos homens e 48% das mulheres apresentavam excesso de peso e 12,4% dos homens e 16,9% das mulheres estavam obesos. Estes números foram apresentados durante a VII Jornada de Nutrição em Aparelho Digestivo e Trauma - Atualidades em Nutrição.

Para haver um processo de mudança de comportamento na vida dessas pessoas, deve haver um reforço positivo e aprendizagem social. Devido a esta demanda, profissionais de apoio, como o coaching nutricional, já bastante comum nos países de primeiro mundo, tem sido largamente procurado. As doenças ligadas à alimentação também têm sido crescente. Intolerância, alergia alimentar e hipersensibilidade, assim como os famosos distúrbios alimentares são assuntos em alta e motivo de preocupação no mundo todo. Estes temas foram assuntos discutidos no congresso.

"O número de pessoas alérgicas por alimento também é crescente, devido a fatores como prevalência, hábitos alimentares, sociais, entre outros", explica a gastroenterologista Vera Lúcia Ângelo Andrade, especialista em doenças funcionais, mestre e doutora em patologia em Belo Horizonte.


Vera Lúcia Ângelo Andrade ( Belo Horizonte / MG)
A especialista é referência na área no Brasil e realiza, em seu consultório, diversos testes de intolerância a açúcares (lactose, frutose, sorbitol, sacarose e frutan). Os alimentos mais alergênicos são ovo, leite, trigo e soja, que desaparecem com o tempo. Amendoim, nozes e frutos do mar normalmente persistem.

A médica explica que há diferenças conceituais relacionadas aos fatores que desencadeiam e os sintomas entre intolerância, alergia alimentar e hipersensibilidade, apesar das pessoas se autodiagnosticarem e se tratarem erradamente após pesquisarem na Internet. “Os principais fatores relacionados à alergia são hereditariedade, exposição ao alimento, permeabilidade gastrintestinal e fatores ambientais, que podem acentuar os sintomas”, explica.

Ela alerta para o cuidado da pesquisa livre nas redes sociais e google, que desencadeiam erros de diagnóstico e automedicação. "Hoje em dia as pessoas chegam no consultório dizendo que são alérgicas ao leite, mas é raríssimo este tipo de alergia em adultos, por exemplo. O comum é a intolerância e o modo de tratar é diferente".

Para garantir às pessoas informações por meio de um canal sério, a médica lançou um canal no Youtube (Vera Ângelo). Ela entende que os profissionais precisam se inserir neste meio com informações sérias para amenizar estragos promovidos por informações errôneas.

Dietas, por exemplo, estão por toda a parte. Mas, todos sabemos que as dietas restritivas não funcionam, pelo menos não por muito tempo e não fazem bem. “A dieta restritiva pré dispõe distúrbios alimentares, sendo que 30% da população já possui este tipo de pré disposição, como bulimia, anorexia e ortorexia”, garante a nutricionista Bianca Masuchelli Chimenti Naves.


A nutricionista Bianca Masuchelli Chimenti Naves

A profissional diz que tantas técnicas surgem porque está difícil combater esta epidemia. "O grande desafio da nutricionista é o compromisso de mudar a relação do paciente com a comida. Não se trata apenas de perder peso por um período, mas mudar o comportamento para a vida”.

A nutricionista, com formação em coaching, Adriana Passos Cardoso, explica que cada vez mais as pessoas precisam de orientação para que aprendam a buscar informações de maneira correta e possam fazer as suas próprias escolhas diárias. “Alguns dos desafios do coaching nutricional são de aumentar a consciência das pessoas, para que elas mudem os seus hábitos inadequados e mantenham um bom resultado, sustentando a mudança de comportamento”.


A nutricionista Adriana Passos Cardoso durante a aula sobre coaching nutricional

O maior objetivo da nova especialidade é de definir um propósito maior para a saúde o bem estar, desenvolver um plano de ação personalizado e voltado para circunstâncias e capacidades, por meio de metas realistas a curto prazo e longo prazo. "Um coach precisa estar preparado para desconstruir crenças, ouvir e verificar expectativas para uma mudança de comportamento no cliente", explica. A proposta é orientá-lo na busca de informações em canais sérios e não acreditar em tudo que ele vê nas redes sociais".

O objetivo, segundo a profissional, é potencializar suas próprias descobertas e escolhas. "O cliente passa a ser auto suficiente com relação à sua alimentação". Isto requer comprometimento, empatia e não julgamentos. 


Comissão organizadora
VII Jornada de Nutrição em Aparelho Digestivo e Trauma - IG&T 2017

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