quarta-feira, 24 de maio de 2017

Cirurgiões discutem redução do tempo de internação para cirurgia bariátrica

Algumas equipes já trabalham com alta no mesmo dia em até 24 horas

A diminuição do tempo de internação hospitalar para pacientes submetidos a cirurgias bariátricas foi um dos principais temas debatidos no último dia do Campinas 2017. Cirurgiões de vários locais do País apresentaram suas experiências e trocaram informações sobre as estratégias que utilizam para garantir que seus pacientes voltem mais cedo para casa e – o mais importante - de forma segura. A alta precoce oferece vários benefícios ao paciente, entre eles, redução do risco de infecções hospitalares, redução de mortalidade e morbidade e retorno mais rápido à sua rotina.

As discussões foram abertas pelo cirurgião torácico João Carlos das Neves Pereira, que fez uma explanação sobre o conceito Fast Track, ou método Barthes, como é chamado na Europa. Este conceito, que já é usado em vários tipos de cirurgia, começa a ser adotado também nas bariátricas. Basicamente, o Fast Track prevê uma recuperação mais rápida do paciente, que pode ir para casa mais cedo.

Para que isso seja possível, é necessário que a equipe esteja bem treinada e que o paciente receba um preparo diferente, que começa na fase pré-operatória, passa pela intraoperatória e segue até o pós-operatório. Neste processo, podemos destacar algumas medidas que muito contribuem para esta recuperação, entre elas, a anestesia menos invasiva e, consequentemente, uma extubação mais rápida.


Logo na sequência, o cirurgião bariátrico José Afonso Sallet apresentou um estudo que mostrou que seus pacientes reduziram o tempo médio de internação de 60 horas, em 2013, para pouco mais de 23 horas, em 2016.  Ele explicou que o índice de rehospitalização dos pacientes com alta precoce foi de 1,8%, ou seja, 50% menor que em grandes centros de excelência. Sallet destacou que os pacientes só têm alta quando não têm mais nada para fazer no hospital e que todos podem entrar em contato com a equipe médica 24 horas por dia para informar qualquer problema.


Também cirurgião bariátrico, Wilter Artuzi finalizou as explanações ao contar sua experiência com as cirurgias bariátricas ambulatoriais, que permitem que o paciente tenha alta no mesmo dia. Pioneiro no Brasil neste tipo de recuperação, ele também destacou que isso só é possível porque o paciente começa a ser preparado já no pré-operatório, que, segundo ele, corresponde a 70% do sucesso de todo o processo.

Wilter Artuzi
Como medida que permite a alta poucas horas após a cirurgia bariátrica, Artuzi reforçou a importância da anestesia minimamente invasiva, que permite que o paciente seja acordado e permaneça assim logo ao término do procedimento. No entanto, o cirurgião destacou, ainda, outras medidas que são fundamentais neste sistema, como a fisioterapia operatória precoce pré e pós-operatória, a deambulação precoce e a estimulação do paciente, que já começa a tomar água na sala de recuperação e é incentivado a caminhar várias vezes durante o tempo de internação e depois da alta. Artuzi começou a fazer a cirurgia bariátrica ambulatorial em setembro de 2016 e já operou 142 pacientes neste formato.


Outras discussões
A mesa redonda também teve a participação do cirurgião Alexander Morrell, que abordou as complicações das cirurgias bariátricas. Ele destacou que o paciente obeso é diferente porque não apresenta sinais iguais aos demais pacientes, já que, muitas vezes, o exame físico é pobre e difícil, nem sempre é possível fazer outros tipos de exames, costumam apresentar falsos negativos e, via de regra, são portadores de comorbidades importantes. O cirurgião explicou os tipos de cirurgia mais comuns e abordou as principais complicações, como fístula e sangramento digestivo.

A sessão também contou com apresentações de casos do cirurgião Roberto Luiz Kaiser Junior, que apresentou três situações diferentes para que os médicos discutissem soluções possíveis. Os vídeos, apresentados no telão, eram de situações reais vivenciadas por ele e sua equipe.




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